sexta-feira, 23 de outubro de 2015

E & P (Extração e Produção)

O fato de a indústria de petróleo depender de uma longa cadeia produtiva (da prospecção até o consumo final dos derivados, passando pelo desenvolvimento das jazidas, produção, transporte, refino e distribuição) levou historicamente a uma tendência pela busca constante de integração vertical entre os diferentes ramos da cadeia, e também de integração horizontal.
A busca por integração vertical se baseia sobretudo no risco associado ao segmento E&P (Extração e Produção). É este o segmento da cadeia que absorve a maior parte dos dispêndios de capital dos investimentos da indústria, e nele se baseiam mais fortemente suas rendas diferenciais. A busca por integração horizontal se baseia na desigual distribuição das jazidas ao longo do mundo. Apenas as firmas integradas vertical e horizontalmente são capazes de gerenciar os riscos das atividades de E&P, e investir na escala necessária para a manutenção de um fluxo de caixa futuro apropriado (CLO, 2000).






No ambiente empresarial petrolífero da década de 90, as alianças estratégicas evoluíram para cobrir todos os ramos da cadeia. O segmento que alavancou mais perspectivas nesse sentido foi o de E&P, na medida em que o incremento das reservas provadas, sobretudo para exploração offshore, também trouxe incremento nas reservas de gás natural.

O segmento E&P é o mais relevante da cadeia petrolífera no que tange a riscos, barreiras à entrada, montante de capital requerido e, sobretudo, à geração de valor agregado (renda diferencial petrolífera), afetando profundamente o comportamento estratégico dos agentes. O segmento E&P pode ser dividido em três diferentes sub-segmentos: a exploração, ou seja, o conjunto de operações ou atividades destinadas a fazer a avaliação de áreas, com vistas à identificação de jazidas de petróleo; o desenvolvimento de campos, que é o conjunto de atividades com vistas a adequar o campo para as atividades de produção de petróleo; e a produção, que é o conjunto de atividades de extração de petróleo de uma jazida e de preparo para o seu transporte; este último designa o início do segmento downstream da cadeia, composto de transporte do petróleo cru, refino, distribuição e comercialização de derivados.

Os investimentos em E&P se norteiam na comparação entre os custos da atividade de desenvolvimento de infra-estrutura local, mapeamento e desenvolvimento das jazidas de fronteira e nova produção, e as rendas diferenciais auferíveis da atividade petrolífera. A variável decisória primordial dos investimentos neste segmento da cadeia petrolífera é a tendência de curto e longo prazos do preço do petróleo, pois ao subir o preço do petróleo, produtores que não teriam boa margem de lucro por barril produzido a preços mais baixos passariam a tê-la, e sua produção seria viabilizada; analogamente, preços baixos de petróleo podem ser menores que o custo marginal de extração do barril de produtores de maior custo, inviabilizando sua produção.

Além do fator preço, têm importância as expectativas quanto à evolução temporal da demanda, a evolução da fronteira tecnológica hoje no que tange à exploração offshore em águas cada vez mais profundas, as características particulares dos países alvos dos investimentos; e a manutenção de um nível estável de reprodução econômica das reservas, conceito tratado a seguir. Estas são as variáveis decisórias dos investimentos em E&P das companhias petrolíferas.

O processo exploratório só pode ser considerado bem-sucedido após a perfuração. Ademais, a confirmação da rentabilidade de um investimento depende não só do sucesso exploratório, como também dos níveis de preços atuais e futuros (op. cit., 1998). Assim sendo, a estrutura de riscos ma indústria de petróleo é diferente das existentes em qualquer outra atividade: além dos riscos normais (preço, demanda, desastres, etc.), inclui o risco geológico decorrente da incerteza dos resultados da exploração, e também o risco geopolítico internacional, associado às incertezas da evolução político-institucional dos países hospedeiros. Esta estrutura de riscos leva as empresas a priorizar a manutenção da sua atividade a longo prazo ao invés da realização de lucros a curto prazo. O horizonte de longo prazo leva as firmas a provisionarem o montante de capital necessário com os custos dos investimentos nas atividades E&P: os montantes investidos geograficamente (share por país) correspondem a decisões orçamentárias das companhias realizadas no início de cada ano (CLO, 2000). 

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